domingo, 1 de março de 2015

um novo passatempo

o pequeno apanha bichos da conta no recreio da escola e faz corridas com os amigos.
um dia destes, muito orgulhoso, trouxe no seu tupperware das bolachas uma colecção deles.
Ficaram nas caixas de observação a comer alface.

                                       
Para quem não percebe, isto é uma corrida de bichos da conta.

2 comentários:

  1. Não sei porquê, mas achei enternecedora a história dos bichos e lembrei-me de um poema do Manoel de Barros, que descobri há pouco tempo e já é para mim uma espécie de guru. Já pensei em ir para a cadeia de évora para ter tempo para o ler:

    "O apanhador de desperdícios" de Manoel de Barros

    Uso a palavra para compor meus silêncios.
    Não gosto das palavras
    fatigadas de informar.
    Dou mais respeito
    às que vivem de barriga no chão
    tipo água pedra sapo.
    Entendo bem o sotaque das águas
    Dou respeito às coisas desimportantes
    e aos seres desimportantes.
    Prezo insetos mais que aviões.
    Prezo a velocidade
    das tartarugas mais que a dos mísseis.
    Tenho em mim um atraso de nascença.
    Eu fui aparelhado
    para gostar de passarinhos.
    Tenho abundância de ser feliz por isso.
    Meu quintal é maior do que o mundo.
    Sou um apanhador de desperdícios:
    Amo os restos
    como as boas moscas.
    Queria que a minha voz tivesse um formato
    de canto.
    Porque eu não sou da informática:
    eu sou da invencionática.
    Só uso a palavra para compor meus silêncios.

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  2. achei maravilhoso a ideia de Évora.
    o poema é fabuloso.
    obrigada

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