o pequeno apanha bichos da conta no recreio da escola e faz corridas com os amigos.
um dia destes, muito orgulhoso, trouxe no seu tupperware das bolachas uma colecção deles.
Ficaram nas caixas de observação a comer alface.
Para quem não percebe, isto é uma corrida de bichos da conta.
Não sei porquê, mas achei enternecedora a história dos bichos e lembrei-me de um poema do Manoel de Barros, que descobri há pouco tempo e já é para mim uma espécie de guru. Já pensei em ir para a cadeia de évora para ter tempo para o ler:
"O apanhador de desperdícios" de Manoel de Barros
Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo. Entendo bem o sotaque das águas Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim um atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo. Sou um apanhador de desperdícios: Amo os restos como as boas moscas. Queria que a minha voz tivesse um formato de canto. Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática. Só uso a palavra para compor meus silêncios.
Não sei porquê, mas achei enternecedora a história dos bichos e lembrei-me de um poema do Manoel de Barros, que descobri há pouco tempo e já é para mim uma espécie de guru. Já pensei em ir para a cadeia de évora para ter tempo para o ler:
ResponderEliminar"O apanhador de desperdícios" de Manoel de Barros
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
achei maravilhoso a ideia de Évora.
ResponderEliminaro poema é fabuloso.
obrigada